December 04, 2008

26 semanas


:D Não, a minha barriga não ficou cor-de-laranja, é apenas uma abóbora-menina que a mãe do Ti nos ofereceu e que eu até tenho pena de cortar porque é mesmo muito linda...

E, às vinte e seis semanas, feitas hoje (porque a partir de agora vou passar a contar às quintas, segundo a ecografia...) ando numa fase de muitos legumes. Sempre fui mulher de sopinha, bem quentinha e com muito que trincar, assim como os meus filhotes para quem sopa, só com muitas e muitas couves.

Mas agora apetece-me especialmente, talvez pelo frio, talvez porque me fascinam as cores, os cheiros, o orvalho destes legumes, acabadinhos de cortar e com muito mais palavras com muito mais terra e raíz, if you know what i mean...

Na sexta-feira passada, desci à loja da Fátima para trazer mais legumes e já havia pouca coisa, por causa do feriado. Então, muito querida, fez-me o favor de ligar ao Pedro, o agricultor, para ver se me arranjava ainda uns espinafres. Passado pouco tempo, tinha um molho enorme, acabadinhos de colher, com a chuva a regar as folhas e mais tenros que nunca. Comer assim é outro consolo...

Fizemos uma bela sopa de espinafres e hoje é a vez da acelga (nunca provei...), com beterraba. Acho que a Maria vai gostar de comer sopa cor-de-rosa... :D Depois mostro ;)

Publicado por violeta-terra às 07:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

November 28, 2008

Hu Allah

Depois da sessão de música de ontem, decidi apresentar à minha número três uma das minhas músicas preferidas de Omar Faruk. Mystical Garden é uma caixinha de surpresas, mas esta mexe especialmente comigo.

Para além de tudo, é ao som destas músicas que a Maria literalmente se infiltra nos meus banhos de espuma de mel e limão, às luz das velas.

E esta foi a forma que encontrei de, num dia frio e chuvoso como este, aquecer a minha pequenina com o calor deste álbum de cheiros e sons. Acho que está a gostar...

Publicado por violeta-terra às 11:39 AM | Comentários (1) | TrackBack

February 16, 2008

Raízes

A M. recebeu um limoeiro no Natal, tinha-o pedido há muito, o T. tem uma laranjeira desde os dois anos (oferecida pela Nené), eu e o Tiago temos uma buganvília (a primeira flor que ele me ofereceu :)) e, como se não fosse a varanda suficientemente pequena, ainda temos carvalhos, alfazemas, pessegueiros, ameixoeiras e agora abóboras a nascer :).

Queria muito fazer também um cantinhos de "cheiros" (a Leonor já nos ofereceu uma hortelã), mas este é mais um projecto que ficará para depois.

De qualquer forma, sentir a terra sempre me deu muito prazer e à M., pelos vistos, também....

E adoro a sensação que a imagem da raíz me provoca... recomeço, vida, ligação


Publicado por violeta-terra às 07:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

October 13, 2007

Há um ano...


... foi assim.

Às vezes gosto de recordar o que estava a fazer há um ano atrás, por exemplo. Faz-me olhar para trás, como quem olha para a frente, balançando o que fui e o que sou, numa tentativa de parar, agarrar o tempo, que teima em tentar passar despercebido, para depois se mostrar ruidosamente nas mudanças que não quero.

Há um ano (mais ou menos) foi assim e já estava o Outono em pleno no friozinho que me orientava o corpo e a alma...

Publicado por violeta-terra às 05:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

October 05, 2007

Chegou...

Ainda não foi desta que a Maria conseguiu guardar um segredo, mas nem foi por mal, esqueceu-se e falou do presente-surpresa à frente do Tomás... ele arregalou os olhos, mas não quis acreditar nas palavras que acabara de ouvir, que escaparam da língua da Maria, sempre pronta a tagarelar. E a bem da verdade, nem eu acreditei até vê-lo... cá!

Cresci passando os dias na casa dos meus avós. Tenho mil recordações que estão ainda hoje em cada sítio de mim, de nós, dos que crescemos no meio daquele jardim, daquelas árvores, dos cenários montados para diversas brincadeiras, das uvas americanas e da vindima, das caixas de bolachas por cima dos guarda-fatos, da cave que cheirava a mistério, da Sra. Carminda e da Maria do Carmo, uma a cortar legumes frescos, pela manhã, para a sopa, e a queimar o arroz de propósito (gostava da crosta do queimado...) e a outra a costurar calças e vestidos e a criar fatos de carnaval para "os meninos", das alfaces que se colhiam segundos antes de irem para a mesa, dos cheiros que infelizmente não consigo traduzir em palavras, de tão cúmplices que são de uma infância que insisto em não mandar embora, do Sr. Jaime de mãos atadas atrás das costas pela "menina leonorzinha" (ainda hoje me rio desmesuradamente quando recordo este episódio), dos primos, dos livros, das histórias do Avô, da massa a "apurar" desde a véspera e da qual nunca mais encontrei sabor igual, da Joaquininha vítima de tantas travessuras, dos perfumes do armário da Avó e do relógio que soava imponente ao cimo das escadas, dos grilos enterrados com pompa e circunstância nos canteiros, dos maracujás que caíam da árvore, do piano...

Estava sozinho, na sala de estar, somente com dois sofás (eram dois, já não me lembro...?) e um tapete a fazer-lhe companhia, mas não estava só. Sempre que se proporcionava, lá o abríamos e o obrigavamos a tocar uma música que não sabíamos, mas que remédio tinha, tal era a vontade de aprender.

Quando se vendeu a casa, ficou com a I. e com a L. e hoje, por razões que não vêm ao caso, chegou cá a casa.

Recebemo-lo de lágrima ao canto do olho. Eu tinha a minha, mas vocês tinham a vossa que eu bem vi... (e acho que os homens da transportadora também, pelo esforço extra, hihihi) porque trouxe tanto desses tempos e com eles a vontade de aprender a finalmente fazê-lo tocar uma música com sentido!

A Avó só o pôde ouvir, mas já repararam como nos juntamos à volta dele? É mais um sinal dos tempos que estão a chegar e hoje, juntamente com a emoção que invadiu o Tomás, eu também estou muito, muito feliz!

É o NOSSO piano!


(foto tirada pelo Tomás)


Publicado por violeta-terra às 10:21 PM | Comentários (7) | TrackBack